segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma guerra vencida contras os transgênicos

           Em defesa do consumidor, que tem o direito de conhecer aquilo que compra e come, o Greenpeace travou e venceu uma batalha com gigantes.
           O Greenpeace passou três anos em meio a investigações e protestos, lidando com empresas poderosas do setor alimentício Bunge e Cargill, além de redes de supermercados. Não foi fácil, mas faríamos tudo de novo: no final, o brasileiro ganhou mais honestidade e transparência no carrinho de compras.
           A história começa em 2003. Naquele ano, o governo Lula aprovou a Lei de Rotulagem, que determinava que alimentos que contivessem a partir de 1% de transgênicos entre seus ingredientes seriam obrigados a apresentar claramente essa informação na embalagem. Só que a lei era letra morta: nenhuma empresa queria assumir publicamente que usava matéria-prima transgênica em seus produtos. Era como se, de repente, todos os alimentos fossem seguros.

           Esse "milagre" dos alimentos pseudolivres de transgênicos não passou despercebido pelo Greenpeace. Desconfiávamos que, atrás de embalagens bonitas e coloridas, havia organismos geneticamente modificados. O mínimo que deveria ser feito era sua correta identificação, para que o consumidor pudesse escolher o que comia.
              Em julho de 2005, uma investigação minuciosa comprovou a desconfiança. Os óleos mais consumidos do país, Soya, da Bunge, e Liza, da Cargill, continham soja transgênica em sua composição. Para chegar a essa conclusão, foram mapeados os tipos de sementes usados para o processamento da soja e fabricação do óleo. Na porta das fábricas, uma equipe interceptava os caminhões que chegavam com a semente e, ali mesmo, em uma mesa de testes, checavam os grãos.
               Os testes foram realizados em fábricas em Ourinhos (SP), Dourados (MS), Campo Grande (MS) e Três Lagoas (MS). Foi comprovado o uso de transgênicos em todas, menos em Campo Grande. O motivo? De lá eram exportados os produtos para a Europa, onde não é aceito óleo com traços de transgenia – uma vez que o consumidor europeu é muito exigente, o produto geneticamente modificado era jogado na mesa do brasileiro.
               Todo o processo foi filmado e as provas, entregues ao Ministério Público Federal em outubro de 2005. Um protesto com 20 ativistas representando consumidores brasileiros, que empurravam carrinhos de supermercado cheios de latas de óleos Soya e Liza pela rampa do Congresso Nacional, marcou a entrega oficial de dossiês com evidências da denúncia para o governo. Os deputados federais Fernando Gabeira (PV-RJ) e João Alfredo (PSOL-CE), então integrantes da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, reivindicaram o cumprimento do decreto da rotulagem.
             O desrespeito com o consumidor brasileiro era tamanho que, dois anos depois da denúncia, e apesar da abertura de inquérito do Ministério Público Federal resultar em mais um decreto de obrigatoriedade da rotulagem, as prateleiras ainda traziam óleos Soya e Liza sem a informação correta na embalagem. Mais uma vez, o Greenpeace entrou em ação.
             A campanha pela rotulagem saiu das fábricas e ganhou os supermercados, em protestos realizados na Semana do Consumidor, em março de 2008. Munidos de adesivos com o símbolo de transgênicos, um "T" amarelo, ativistas rotularam nas prateleiras os óleos comprovadamente transgênicos.
              Foi um barulho só e uma briga daquelas, mas que surtiu efeito. No início de 2008, Bunge e Cargill finalmente passaram a seguir a lei, e os primeiros óleos rotulados começaram a chegar aos supermercados brasileiros. O consumidor finalmente teve seu direito respeitado.
                                                                                                                                      greenpeace.org.br

sábado, 17 de abril de 2010

Desde quando isso é Responsabilidade Social?!?

           Diferente do que já pontuamos aqui no "Novas Gestões", ainda percebemos alguns gestores que ainda insistem que Responsabilidade Social é agrupar nos 0,01% de faturamento da empresa alguma ação beneficiente ou assistencialista. Em 18 de abril, um jornal local publicou uma nota com essa tal resposnabilidade que algumas empresas estão assumindo, tais como programas de assistência a saúde e social que não significam benefício real nenhum para pessoas que "PRECISAM" comer e tem "direito" à educação, saúde e moradia. Não dá para entender que essas empresas é que estão garantindo esses direitos?!?! E o pior, porque divulgam ações como essa, como marketing, em detrimento da miséria dos outros.
            Cuidado com essas ações pintadas de responsabilidade. Lembramos que, quando tratamos de Resposabilidade Social 2.0, nos referimos ao termo empregado pela francesa Élisabeth Laville, do grupo Utopies, para definir o momento atual da gestão coorporativa nas empresas. No qual as empresas e coorporações. em determinado momento, terão seu processo produtivo ligado as regras de mercado e também as regras socioambientais. Nessa ótica, não haverá opção, as grandes mudanças serão necessárias e orbigatórias. Partirá, inclusive, de muitas dessas empresas, as novas tecnologias e ações em favor do planeta.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Além do capitalismo - A hora da Empresa Cidadã!

"Enquanto uma empresa não abraçar uma causa maior e mais abrangente do que o enriquecimento dos acionistas, terá poucos líderes de peso; é mais provável encontrá-los nas arenas das ONGs do terceiro setor. Se esse for o caso, o terceiro setor poderá ser o local de treinamento empresarial e talvez político"

Charles Handy
           Apelidado de Filósofo da Gestão, o Professor da London Bussinesse School Charles Handy traz na obra "Além do Capitalismo" uma visão sobre o capitalismo como sistema econômico que verdadeiramente proporcionou inegáveis benefícios materiais, porém também provocou uma separação gritante entre ricos e pobres, o que tem se agravado gradativamente. Como prova disso, há um dado allarmante que indica que um terço da população está desempregada. Outro dado significativo é que 70% do comércio mundial estão nas mãos de apenas 500 empresas. O capitalismo provoca expectativas de crescimento constante. No entanto, isto não vai acontecer indefinidamente. E isto pode agravar as condições de vida das pessoas. A valorização do dinheiro é excessiva. Charles Handy argumenta que os valores de sustentação devem ser modificados em favor da qualidade de vida para todos. Os valores de mercado devem ser modificados.
             De forma ousada, o professor afirma que o capitalismo precisa ser reinterpretado para tornar-se decente, e as empresas, que são as instituições-chave do capitalismo, precisam ser repensadas. A educação precisa ser reformulada para nos preparar para uma maior responsabilidade pessoal. O governo precisa retribuir responsabilidade ao seu povo. Somente assim poderemos sentir que a vida e a sociedade podem ser moldadas por nós. Se isso acontecesse, nossos valores poderiam ditar a maneira pela qual as coisas funcionam, e não o inverso.
              Seguindo esse pensamento, o consultor e executivo Brian Bacon - pioneiro e líder no pensamento sobre o papel das empresas na sociedade - afirma que as "empresas cidadãs" assumiram um novo papel na sociedade. Pois, diferente do que as escolas ensinaram, o pensamento empresarial evoluiu muito desde as primieras idéias impementadas pela Revolução Industrial. Por exemplo, primeiro houve a era das características. As coisas tinham de ser somente funcionais. Depois, veio a era das necessidades emocionais. Estamos saindo dela, porém ela ainda está presente em muitos comerciais de TV: o que aquele produto ou serviço irá fazer para que eu me sinta bem? E agora está surgindo a era das necessidades do cidadão. As pessoas entendem que não são apenas clientes, são pais, filhos e cidadãos que buscam produtos que sejam parte da solução.
                O consultor ainda afirma que as diversas crises foram pontos decisivos para os líderes e gestores se reinventarem. Um exemplo citado por ele foi a consultoria realizada na McDonald´s: "Um de meus recentes clientes foi o McDonald’s. Apesar de ser vegetariano há 23 anos, trabalhei para eles. Charlie Bell, o CEO da rede de lanchonetes, é meu amigo. Mal assumiu o cargo, e os maiores acionistas já queriam saber o que ele iria fazer para combater o problema de imagem da empresa: vender comida que faz mal, engorda, essas coisas. Ele afirmou para a assembleia que o McDonald’s não tinha problema algum de imagem. Insistiram falando de protestos e estudos em jornais. E ele continuou: “Não há problema algum de imagem, mas um de realidade. É impossível afirmar se o McDonald’s é ou não parte do problema da má alimentação mundial. Mas, com toda certeza, a partir de hoje, seremos parte da solução”. Então, começou a fazer campanhas de exercícios e colocar alternativas mais saudáveis no cardápio. Charlie teve mente aberta, caráter e disposição para mudar as coisas." - (Na minha opinião, continua vendendo produtos de péssima qualidade, apesar da Pesquisa Top-of-mind ou lembrança funcionar bem)
              

P.S. Tirando o exemplo da McDonald`s que, para mim, apenas segmentou os seus produtos para continuar vendendo as "comidas que fazem mal", esperemos que em meio a tantas crises (ambientais, sociais, econômicas e políticas), as empresas assuman, definitivamente, a sua co-responsabilidade na sociedade. E que nós - eu me incluo nessa afirmativa - possamos abrir de forma transcendente nossa visão em relação a vida. Precisamos deixar de achar que o dinheiro colore tudo o que fazemos. Ele é apenas meio de vida e não seu objetivo principal.
"Deve haver algo que possamos fazer para restaurar o equilíbrio" Charles Handy.

Eu ainda não sei! :(

domingo, 4 de abril de 2010

Vai um cafezinho certificado?!

                 Em alguns períodos da década de 1980, o café era a segunda commodity mais negociada no mundo por valor monetário, atrás apenas do petróleo.  Mesmo perdendo parte desse status ao longo dos anos, o Café ainda permanece entre os 10 produtos mais exportados (ONU-Agricultura e Alimentação).
                 Hoje, os adeptos do café, podem tomá-lo com a consciência mais "relaxada". E não estou falando dos eternos embates entre os malefícios e benefícos da cafeina, mas sim, pela cadeia produtiva do café está liderando os setores agrícolas nacionais com certificação ambiental.
                 Além de causar um impacto positivo no campo, como incentivador à ouras cadeias produtivas, a certificação contribui tanto para a conservação do meio ambiente, mas também para a qualidade de vida dos profissonais, pois os produtores certificados também consideram questões sociais aos trabalhadores rurais, garantindo que essas pessoas trabalhem em condições de segurança e saúde, com moradia. “Enfim, com uma série de questões que [vêm com o] selo. Esse é o propósito da certificação”. Afirma o secretário-executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Luis Fernando Guedes Pinto.
                 Para o consumidor, é a garantia de estar comprando produtos ecologicamente corretos e socialmente justos. “É uma garantia dele estar contribuindo também para isso. É importante dizer que o consumidor faz sua opção na hora em que compra, optando por um produto certificado de maneira consciente”, conclui o secretário.

ATUALIZADO Eles fazem bem o bem - Empreendedores Sociais parte 2 (Campanha Brasilidade)

             O Blog Novas Gestões continua a divugar a Campanha Brasilidade. Foi lançado recentemente o ning da campanha http://www.campanhabrasilidades.ning.com/. A Campanha está programada para começar oficialmente em 15 de abril de 2010 e o tema será "A diversidade que transforma o Brasil". No portal, você poderá apresentar-se e/ ou apresentar seu negócio/projeto social ou sua idéia, pontos, fortes, fracos, objetivos, etc.
             Precisamos divulgar ações e empreendimentos sociais nas cinco regiões do Brasil!

Vamos participar!
            

Voce é burro o suficiente para combater as mudanças climaticas?

James Lovelock diz que SIM!

                Em entrevista ao jornal The Guardian, James Lovelock (90) criador da Teoria de Gaia, discorreu  sobre muitos assuntos: desde o Climategate, a super confiança em modelos computacionais, a necessidade do ceticismo climático, energia eólica versus nuclear, o IPCC e a influência dos lobistas, e finalmente (como sugere o título) a habilidade dos humanos em lidar com situações complexas como as mudanças climáticas.
                Referente a segunda armtiva, ele dz "Eu não acho que nós já tenhamos evoluído a um ponto em que somos capazes de lidar com situações tão complexas como a mudança climática. Nós somos animais muito ativos. Gostamos de pensar, ‘Ah sim, esta seria uma ótima política,’ mas isso nunca é tão simples. As guerras nos comprovam o quanto esta afirmação é verdadeira… a mudança climática é como uma repetição de uma situação em tempos de guerra. Ela pode facilmente nos levar a uma guerra física”.

                A opinião do teórico é relevante, pois o mesmo afirmou em janeiro de 2006, no "The Independent", que "o mundo já ultrapassou o ponto de não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver". Ou seja, pelo que prseciamo nos últimos anos é que a crença de que os esforços para conter o aquecimento global já não podem obter sucesso completo e a vida na Terra nunca mais será a mesma estao se confirmado.
               Ao final Lovelock concluiu que apenas uma grande catástrofe natural, como o colapso da Geleira Pine Island na Antartica e o rápido aumento do nível do mar ou condições de secas extremas, como o que ocorreu no período chamado de “dust bowl,” no meio oeste americano, para fazer com que os humanos tomem ação.

               Somos ou não somos burros o suficiente?